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Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Luiz Gonzaga canta Sergipe


por Amâncio Cardoso[1]


A música popular brasileira teve em Luiz Gonzaga (1912-1989) um de seus mais significativos representantes no século XX. É unanimidade dizer que ele foi o maior cantador do Nordeste. Em Pernambuco, seu estado natal, é considerado um ídolo. Enfim, o velho “Lua”, apelido carinhosamente atribuído por um amigo em 1941, foi um daqueles poucos artistas incontornáveis quanto a sua contribuição para a cultura nacional. Suas canções são patrimônios incontestes. Por seu legado, ele recebeu várias homenagens pelo país: estátuas, bustos, títulos, museu, memorial, parque, ruas, praças e sites. Em Aracaju, por exemplo, temos o Gonzagão; um freqüentado espaço cultural da cidade.

Mas o “rei do Baião”, título que conquistou no auge do sucesso, além de ser homenageado por sua obra, também fez homenagens, a exemplo de Sergipe. Assim, personagens, lugares e costumes de nosso estado estão representados em algumas de suas músicas. Talvez, isto tenha sido uma forma de agradecer o carinho com que era aqui recepcionado; ou ainda se configure um indício das boas lembranças que nosso estado lhe deixara. Vejamos, então, como Sergipe comparece no cancioneiro do mestre de Exu.

Aqui, nas terras sergipenses, Luiz Gonzaga mantinha algumas amizades. Dentre elas, a de Pedro Chaves, ex-prefeito de Propriá. Para seu amigo, ele compôs “Forró de Pedro Chaves” (Luiz Gonzaga, 1967, RCA Victor). A letra narra uma festa, de “parar o comércio” com fogueira, ronqueira (arma com pólvora que detona com estrondo), zabumba, bebidas e forró na casa do Sr. Chaves, na cidade ribeirinha. Anuncia-se um típico forrobodó, baile popular, comum na zona rural do Nordeste e, especificamente, de Sergipe. Desse modo, a lembrança que traz do Pedro Chaves é seu espírito festeiro; o que muito agradava ao rei do baião que já cantara e tocara na fazenda Cabo Verde, em Própria, do seu amigo e então prefeito da cidade.

Além do político propriaense, Gonzagão - outra alcunha por ele utilizada – cantou também em ritmo de baião “Propriá” (Guio de Morais e Luiz Gonzaga, 1951, RCA Victor). Nesta música, Gonzaga manifesta a intensa saudade e o desejo de retorno à cidade. Lá, conforme a letra, ele deixara tudo de que dependia: a família, o roçado e a amada. Por isso, o baião termina assim: “a minha vida tá todinha em Propriá”.

Em meados do século XX, época em que foi composto o baião, Propriá era uma das principais cidades de Sergipe. Centro regional do Baixo São Francisco, cujo comércio, rizicultura e indústria têxtil dinamizavam a economia local. Luiz Gonzaga, por sua vez, fazia várias apresentações na “princesa do São Francisco”. Em 1955, quatro anos após gravar “Propriá”, mestre Lua emprestou seu nome a uma praça da cidade. Homenagem, evidentemente, do então prefeito e fã Pedro Chaves.[1] Durante esse período, eram freqüentes as visitas à fazenda do líder político, de onde Luiz Gonzaga se dirigia para shows em praças e cinemas de Propriá.[2]

Outra cidade sergipana, na região sob influência de Propriá, também foi cantada por mestre Lua: “Malhada dos Bois” (Luiz Gonzaga e Amâncio Cardoso, 1957, RCA Victor). Malhada fica a 82 Km de Aracaju e se tornara cidade em 1953. Segundo se sabe, Luiz Gonzaga começou a escrever sobre o pequeno povoado ainda na fazenda do já referido amigo Pedro Chaves, na zona rural de Propriá. A letra discorre sobre um convite de um enamorado à sua amada: “vamos fugir, meu amor/ para Malhada dos Bois”, lá o personagem pretendia casar e “ter filhinhos depois”.

A fuga de casais era costume praticado pelo nordestino, cujo namoro era impedido pela família da pretendida. Fugir era o primeiro passo para consumação do casamento contrariado. Certamente, a única atração da então pequena povoação sergipana seria o abrigo bucólico, próprio para casais em fuga, onde hoje ainda existem os refúgios da fonte de Itapicuru e de pontos da Mata Atlântica, cuja pastagem ou malhada para o gado bovino ainda não as extinguiu.[1]

Além de Própria e Malhada dos Bois, mais uma cidade sergipana foi evocada pelo sanfoneiro do Araripe. Trata-se de Canindé de São Francisco. A música “São Francisco de Canindé” (Julinho e Luiz Bandeira, 1977, RCA) alude à proteção do santo que, enchendo o rio, acaba com a seca no sertão, tema caro na musicografia gonzagueana. Na canção, o povo de Canindé ora com fé a pedir chuva, pois o rio virara “um deserto de pedra e pó/ a noite se avermelhou/ de tão quente o céu e o chão”. Cena tradicional nos diversos ciclos de seca por que passou o Nordeste. Mas os pedidos fervorosos de chuva aos santos são eficazes na cultura católica sertaneja. Assim, portanto, finaliza a toada: “De repente choveu bonito/ O rio encheu de fazer maré (...). Fazer bem é seu poder/ São Francisco em Canindé”. Porém, mais do que a irregularidade do tempo ou força da intervenção divina, sabe-se que a população nordestina amargou sucessivos desgovernos de órgãos e autoridades públicas que se ocuparam da seca ao longo do século XX.[2]

As três cidades sergipanas homenageadas no cancioneiro de Gonzagão ficam na região do Baixo São Francisco. Canindé, no entanto, é a mais distante da capital, a 200 Km, na micro-região do sertão sanfranciscano. Contudo, a Canindé recitada por Luiz Gonzaga não existe mais. Ela foi inundada em decorrência da construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, em fins da década de 1980. Uma nova Canindé foi construída noutra área mais elevada, a quatro quilômetros da sede anterior. Atualmente, o município é um dos atrativos turísticos de Sergipe, justamente por oferecer, entre outras coisas, culinária ribeirinha, banhos e passeios pelos cânions e lago formado pela barragem da usina.

Entretanto, se antes a região vivia o dilema das secas, como expressa a música cantada pelo rei do baião, hoje o tema que também atormenta o Baixo São Francisco é a transposição fluvial para irrigar e abastecer zonas do Nordeste setentrional. Caso isto ocorra, conforme os adversários do projeto, nem com reza forte o rio voltará a ser vital para as populações ribeirinhas e cidades por ele abastecidas, como Aracaju.

Além do amigo e cidades sergipanas, Luiz Gonzaga também cantou lugares e monumentos de nosso estado, tais como a praia de Atalaia Velha e o estádio de futebol Batistão.

A praia de Atalaia, um dos nossos pontos turísticos mais importantes, foi homenageada na música “Adeus Iracema” (Zé Dantas e Luiz Gonzaga, 1962, RCA Victor). A toada menciona as principais praias do Nordeste e sobre a nossa diz: “Navega [oh! Jangada]/ No Nordeste pela praia/ (...)/ Quero ver minha Atalaia”. O narrador se identifica com nosso cartão postal, tomando-o para si e demonstrando intensa saudade do paraíso sergipano.

Em meados do século XX, quando a música foi escrita, a Atalaia se anunciava como a mais nova e atraente opção de lazer e veraneio de Aracaju.[1] Pois, desde a construção da ponte velha sobre o rio Poxim em 1937, ligando a capital ao então povoado de pescadores, os aracajuanos substituíram, paulatinamente, o banho ribeirinho pelo oceânico. Isto se acentuou após a inauguração, em 1957, de uma nova ponte sobre o Poxim para ligar o balneário de Atalaia e o aeroporto Santa Maria (1958) ao centro da cidade, facilitando o acesso dos turistas que aqui aportavam. Desde então, a velha Atalaia com casas de palha, coqueirais, areias alvas, mar aberto, além de bares e restaurantes com comidas típicas sempre foi o éden de poetas e cantadores, como Luiz Gonzaga.

Quanto ao Batistão - Estádio Estadual Governador Lourival Baptista –, principal praça de esportes de Sergipe e a mais moderna do Norte/Nordeste, à época, o velho sanfoneiro gravou seu hino. Na segunda estrofe, o rei do baião entoa: “No gramado do Batistão/ Enquanto o craque chuta a bola/ As crianças dão lição/ Nosso estádio tem escola/ O estádio de Sergipe/ É o mais completo da nação/ Dá ao povo futebol/ E à infância educação”. (Hugo Costa e Luiz Gonzaga, 1969).

Além do esporte bretão, o Batistão possuía dez salas de aula para atender 1.200 (mil e duzentos) alunos em três turnos, ou seja, educação e esporte estavam presentes no mesmo sítio como atividades complementares. Hoje, as salas são ocupadas por sedes de federações de esportes. Inaugurado em 09 de julho1969, um ano antes da conquista do tri-campeonato pelo Brasil da copa mundial de futebol no México, o Batistão é um marco na história do desporto sergipano. A seleção brasileira de futebol, inclusive, participou do jogo inaugural e venceu a seleção sergipana por 8x2. Na abertura oficial da solenidade, Luiz Gonzaga cantou o hino do estádio, momento inesquecível para quem participou da festa.[2]

Como se viu, o mestre forrozeiro homenageou amigo, cidades e lugares de nosso pequeno estado. Diante disso, será que já não seria oportuno agradecermos ao rei do baião, após vinte anos de sua “Triste Partida”, gravando um Cd com músicas exclusivas sobre nossa terra e, de preferência, cantadas por pratas da casa? Se isto ocorresse, seria um ponto positivo para divulgar Sergipe, aumentar nossa auto-estima e revigorar a “sergipanidade”.

[1] Melins, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi: anos 40 e 50. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 267-274.

[2] Especial Batistão 40 anos. Cinform. Aracaju, edição 1.369, 06 a 12 de julho de 2009.

Aracaju Magazine, Aracaju, n. 135, p. 30-35, 2010


[1] CRUZ e SILVA, Maria Lúcia Marques & MENDONÇA, J. Uchoa de. Sergipe panorâmico. 2. ed. Aracaju: Unit, 2009. p. 299-300.

[2] VILLA, Marco Antonio. Vida e morte no sertão: história das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX. São Paulo: Ática, 2000.


[1] DREYFUS, Dominique. Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga. São Paulo: Editora 34, 2000. p. 196.

[2] ARAGÃO, Carlos R. Britto; PRATA, W. Luiz. Propriá 200 anos: notas e fotos do bicentenário. Aracaju: Sociedade Semear, 2002. p. 66.


[1] Professor e coordenador dos cursos de Turismo do Instituto Federal de Sergipe. E-mail: acneto@infonet.com.br

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Olho da Mão Camisaria e etc.


Uma loja virtual de camisetas pintadas à mão, telas e outros trabalhos com desenhos exclusivos e personalizados;


Gostou do que viu?

Encomendas e compras:

olhodamao@gmail.com

Sejam bem-vindos ao mundo encantado dos nossos pincéis e cores! Bem-vindos à nossa forma de enxergar o mundo... com os olhos das nossas mãos.

Trabalhamos com camisas masculinas, femininas e infantis.



Lays V. e Céu.

Aracaju/SE

obs: Aceitamos encomendas de fora tb, só nos passar o CEP para calcularmos o frete

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Chico operário...



Amou daquela vez como se fosse máquina

Beijou sua mulher como se fosse lógico

Ergueu no patamar quatro paredes flácidas

Sentou pra descansar como se fosse um pássaro

E flutuou no ar como se fosse um príncipe

E se acabou no chão feito um pacote bêbado

Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado.


Chico Buarque em Construção






Construção foi o quinto álbum de Chico Buarque. Lançado em um dos périodos mais críticos da ditadura militar, ele é um marco de mudança no trabalho de Chico como compositor, onde ele começou a fazer críticas mais diretas ao regime militar, sendo alvo de censura em muitas das letras, como a faixa título. "Samba de Orly", composta em parceria com Vinícius de Moraes e Toquinho fala sobre o exílio, o que gerou sua censura parcial.



Um clássico do início ao fim, esse álbum de 1971 foi produzido por Roberto Menescau e traz as participações do grupo MPB-4 em 5 faixas e de Tom Jobim em uma. Traz muitas das canções mais conhecidas da carreira, e clássicas composições em parceria com Vinícius de Moraes: "Desalento", "Olha Maria (Amparo)", "Samba de Orly" e "Valsinha".



"Construção" foi eleito pela revista Rolling Stone o 3° melhor disco de música brasileira de todos os tempos, e também se encontra no livro "1001 discos para se ouvir antes de morrer" escritos por críticos musicais do mundo todo.



Podia nem ter todos esses atrativos, e ser indicado só por ser "mais um disco do Chico". Mas como todo clássico tem que ter lendas pra torná-lo inesquecível... Sejam bem-vindos ao canteiro de obras!



Chico Buarque - Construção [1971]



01. Deus lhe pague (C.Buarque)

02. Cotidiano (C.Buarque)

03. Desalento (C.Buarque/V.de Moraes)

04. Construção (C.Buarque)

05. Cordão (C.Buarque)

06. Olha Maria (Amparo) (C.Buarque/V.de Moraes/T.Jobim)

07. Samba de Orly (C.Buarque/Toquinho/V.de Moraes)

08. Valsinha (C.Buarque/V.de Moraes)

09. Minha história (Lúcio Dalla versão de C.Buarque)

10. Acalanto (C.Buarque)


Participações Especiais:

MPB-4 vocais nas faixas 1, 3, 4, 7 e 9.

Tom Jobim piano na faixa 6.




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sábado, 17 de abril de 2010

Alessandra Leão



Em meio à recente explosão de jovens cantoras cool, urbanas, muitas delas centradas no samba carioca, três anos atrás saltou aos ouvidos de alguns privilegiados o disco de estréia da pernambucana Alessandra Leão, Brinquedo de Tambor.

Ao invés de polimento, suavidade ou as sonoridades mais hype, o CD da ex-integrante do Comadre Fulozinha gritava sua aspereza, revelando também uma surpreendente compositora, com um raro frescor no manejo da música tradicional do litoral e Zona da Mata nordestina. O paralelo mais imediato para situar as referências seria o amigo Siba e sua Fuloresta do Samba, que também escondem por trás de sonoridades ancestrais uma radical atualidade.

Mas o disco de estréia, ainda que farto em contrapontos e usando algumas guitarras, ainda era um tanto reverente às tradições de que se apropriava. Pois neste novo CD -
Dois Cordões, a coisa amadureceu como se décadas, e não anos, houvessem passado.
Nele, a idéia de arranjo e sonoridade (obra do produtor/arranjador/instrumentista Caçapa) é inseparável do resultado final: uma combinação 100% inédita dos timbres de três guitarras elétricas (de 6, 7 e 12 cordas), em camas quase nunca harmônicas, mas sim complexamente polifônicas. Tecidos sonoros que devem tributo tanto aos estudos eruditos europeus de contraponto e fuga quanto a escuta atenta dos mestres da música africana, igualmente polifônica e não-harmônica.

E essa meticulosa rede de vozes instrumentais é alicerçada à terra não por acaso por um místico (e mítico) trio de ilús: tambores de pela utilizados nos terreiros de Xangô (como é conhecido o candomblé em Pernambuco). E a moldura do disco é essa. Pouco mais, pra dar molho: um pandeiro aqui, caxixis ali, talking drums, güiro, ganzá, eventuais coros.

Só que nada disso seria mais do que curioso ineditismo se, sobre essa tessitura, não flutuasse como ave rara a voz de Alessandra. Uma voz por vezes doce e jovial, por vezes crestada numa alegria ancestral que ecoa essa gente simples dos interiores de Norte e Nordeste, gente que canta porque não sabe não cantar. Essa gente humilde e feliz, feliz de uma felicidade muitas vezes incompreensível para urbanos e/ou sulistas.

Mas do que fala essa voz? Sobre o que escreve essa compositora única, que abre as asas sobre o chão de terra e paira sobre o mundo, sobre sentimentos universais, sobre dramas de qualquer cidadão do planeta? Fala de (ser) par, de dualidade, de chegadas e de partidas. Fala de Ogum e de Iemanjá. De amor e violência, fogo e mar, tradição e contemporaneidade. África e América, elétrico e acústico.

Tensão e festa.
Fala de gente.
E é essa, acima de tudo a força desses Dois Cordões. É um disco de gente. Gente falando de gente.

Texto: Arthur de Faria

http://www.myspace.com/alessandraleao

ALESSANDRA LEÃO - Dois Cordões [2009]

01. Varanda
02. Boa hora
03. Bom dia
04. Atirei [Part. Jorge du Peixe/Nação Zumbi]
05. Fogo [Part. Victoria Sur e Florencia Bernales]
06. Luzia, rainha do baianá/ Tombo do navio
07. Trancelim
08. Andei
09. Partilha
10. Vou me balançar
11. Ai, dendê
12. Chave de ouro [Part. Kiko Dinucci]

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aqui.

Ficha Técnica:
Alessandra Leão voz, pandeiro, caxixis e composições
Caçapa arranjos, producao musical e guitarra de 12 cordas.
Juliano Holanda guitarra de 6 cordas e vocal
Rodrigo Samico guitarra de 7 cordas e vocal
Carlos Amarelo Ilú, tama, triângulo, tamborim e vocal
Guga Santos Ilú, tama e vocal
Homero Basílio Ilú e caxixis

CONTATOS / CONTACTS:
Vitrô Recife Produções
55 81 81 92449612 / 91952181
vitroproducoes@gmail.com / dois.cordoes@gmail.com












Orchestra Baobab - Nijaay

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Música - Cultura - Mestizaje




O
Frontline Guerrilla Sonora é um soundsystem coletivo, vindo da Cidade do México, formado por Joaquín Echenique, Quique Macias, DJ Zeus e outros artistas convidados.
Os caras mantém a algum tempo um site muito interessante, sobre cultura de rua, música e política, o http://www.front-line.com.mx. A nova empreitada dos caras foi um EP com 4 sons, chamado No Suena Mal onde eles fazem um mix de reggae, drum'n'bass e hip-hop. Confira aê o trampo e a mistura interessante dos caras.



Frontline Guerrilla Sonora - No suena mal [ep]

1. Intro
2. Cuando
3. No suena mal
4. Coming soon (Featuring Lengualerta & Olinka)

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sábado, 10 de abril de 2010

Os Afro-Sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes

Pouco antes de morrer, em 2000, Baden confessava que não tocava mais o repertório de Os Afro-sambas. O violonista havia virado evangélico e dizia que alguns dos temas falavam do demônio, de coisas ruins e que por isso haviam sido esquecidos.

O primeiro encontro entre os dois é marcado de lendas e com várias versões. Mas o importante é saber que Vinícius ficou absolutamente seduzido pelo som de Baden e o convidou para formarem uma parceria. Mesmo assustado com o convite, Baden topou e praticamente morou três meses na casa do "Poetinha", onde escreveram várias canções, em 1962. A primeira leva tinha mais de 25 canções, e reza a lenda também, que além da parceria, Vinícius foi o "professor" de Baden em outra arte: a bebida. Regados à uísque, os dois continuaram compondo.
Vinícius estava encantando com o LP Sambas de Roda e Candomblés da Bahia, que havia recebido de presente de Carlos Coqueijo Costa. Baden também ficou impressionado com o disco e, por influência do capoeirista Canjiquinha, começara a freqüentar rodas de capoeiras e ia à terreiros e aprendia mais sobre o candomblé. A idéia de fazer um disco sobre o tema fascinou os dois.

Os dois começaram a escrever canções inspirados no tema: "Bocoché", "Canto de Xangô", "Canto de Iemanjá", "Canto do caboclo Pedra Preta" e o clássico "Canto de Ossanha", que faria sucesso anos depois navoz de Elis Regina. Baden, por sua voz, estava estudando cantos gregorianos com o maestro Moacyr Santos e percebeu que os cânticos afros tinham semelhanças e resolve produzir melodias que em cima das duas vertentes.
O projeto ficou engavetado e só viu a luz do dia, quatro anos depois, em 1966. Foi quando Vinícius ofereceu o projeto à Roberto Quartin, dono do selo Forma, que produzia discos extremamente sofisticado. Quartin topou de imediato a idéia de lançar Os Afro-sambas.
Gravado entre os dias 3 e 6 de janeiro, Quartin convidou o maestro Guerra Peixe, o grupo vocal Quarteto em Cy e um coral de "músicos amadores" formado por Nelita e Teresa Drummond, Eliana Sabino (filha do escritor Fernando Sabino), Otto Gonçalves Filho e César Proença e uma jovem aspirante a atriz chamada Betty Faria. E é Betty Faria que divide os vocais com Vinícius na imortal "Canto de Ossanha" que abre o disco.
Guerra Peixe optou por dar o disco uma sonoridade mais rústica, como se estivesse sendo, de fato, gravado, em um terreiro, o que acabou sendo um dos grandes charmes do disco, embora Baden criticasse justamente isso, anos depois, considerando o disco "mal gravado". Enquanto Vinícius murmura as letras quase em tom de súplica, Betty Faria reforça as sílabas finais de cada frase, além do acompanhamento do Quarteto em Cy em quase todas as faixas.
Baden era o responsável por climas todas as melodias e até cuidava da percussão. Seu toque inconfundível norteia a bela "Lamento de Exu", que encerra o disco, enquanto Vinícius voa quase solo em "Canto do Caboclo Pedra Preta". Aliás, Vinícius tentou cantar de maneira mais grave, como 'um preto velho", em faixas como "Canto de Xangô". Vale ressalatar "Bocoché", com um clima quase etéreo.
O disco rendeu excelentes críticas e vendagem e solidificou de forma definitiva a carreira de Baden Powell. Após a parceria com Vinícius, Bande deixou de ser um tímido músicos que vivia de pequenas participações na noite carioca para ser um músico mundialmente famoso e indo embora do Brasil definitivamente vivendo por mais de 20 anos na França e cinco na Alemanha.
Apesar de já estar definitivamente inserido como um dos mais
importantes discos da música popular brasileira, o comentário de Vinicius de Moraes na contra capa do LP é mais elucidativo do que qualquer outra observação que se queira dar ao trabalho: "Essas antenas que Baden tem ligadas para a Bahia e, em última instância para a África, permitiram-lhe realizar um novo sincretismo: carioquizar dentro do espírito do samba moderno, o candomblé afro brasileiro dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal (...) nunca os temas negros de candomblé tinham sido tratados com tanta beleza, profundidade e riqueza rítmica ... "
Fonte: Beatrix

Vocais: Vinicius de Moraes, Quarteto em Cy e Coro Misto
Sax tenor: Pedro Luiz de Assis
Sax barítono: Aurino Ferreira
Flauta: Nicolino Cópia
Violão: Baden Powell
Contrabaixo: Jorge Marinho
Bateria: Reisinho
Atabaque: Alfredo Bessa
Atabaque pequeno: Nelson Luiz
Bongô: Alexandre Silva Martins
Pandeiro: Gilson de Freitas
Agogô: Mineirinho
Afoxé: Adyr Jose Raimundo
Produção e direção artística: Roberto Quartin e Wadi Gebara
Técnico de gravação: Ademar Rocha
Contracapa: Vinicius de Moraes
Fotos: Pedro de Moraes
Capa: Goebel Weyne
Arranjos e regência: Maestro Guerra Peixe




A1 Canto de Ossanha - 03:23
A2 Canto de Xangô - 06:28
A3 Bocoché - 02:34
A4 Canto de Iemanjá - 04:47
B1 Tempo de amor - 04:28
B2 Canto do Caboclo Pedra-Preta - 03:39
B3 Tristeza e solidão - 04:35
B4 Lamento de Exu - 02:16

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Vielle Canaille

... Um cara que largou os riscos de lado e viveu intensamente cada segundo de sua vida. Axo que essa é a primeira definição que vem a minha cabeça quando falo de Serge Gainsbourg (1928-1991).
Gainsbourg foi um talentoso compositor francês, que passou com autoridade de mestre pelos mais variados estilos. Gravou do jazz ao reggae, passando pelo rock. Também fez trilhas sonoras para o cinema, chegando até a atuar em alguns filmes; mas o seu maior personagem era ele próprio. Viciado em cigarros e álcool (as lícitas), o cara colecionou escândalos e amantes durante toda a sua vida. Por sua cama passaram algumas das mulheres mais bonitas do mundo das décadas de 60 e 70, como Jane Birkin (com a qual teve uma filha, Charlotte Gainsbourg), Brigitte Bardot, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Vanessa Paradis, Isabella Adjani, France Gall. Sua personalidade era tão conturbada que suas músicas só faziam sucesso cantadas por outros artistas, ou anos depois.
No final da década de 70, quando o rock começou a invadir a França, Gainsbourg (sempre na contracorrente) viajou para a Jamaica, onde se apaixonou pelo reggae, e com a ajuda dos renomados produtores Sly Dunbar e Robbie Shakespeare gravou uma sequência fantástica de discos de reggae, que aliado ao seu francês se tornariam obras primas. Justamente no primeiro disco gravado na ilha caribenha surgiu mais uma polêmica na vida dele: O cara regravou uma versão em reggae, verdadeira "descontrução" do hino nacional francês, A Marselhesa, que foi duramente criticada por jornalistas e políticos franceses. Nada que atingisse uma figura que sempre viveu cercada de polêmicas.
Serge Gainsbourg passou dessa para uma melhor no dia 2 de março de 1991, consequência de um coração ja cansado da vida torta (ou bem vivida ?).

Serge Gainsbourg - Mauvaises Nouvelles des Étoiles [1981]

1. Overseas telegram
2. Ecce homo
3. Mickey Maousse
4. Juif et Dieu
5. Shush shush Charlotte
6. Toi mourir
7. La nostalgie camarade
8. Bana Basadi balalo
9. Evguenie Sokolov
10. Negusa Nagast
11. Strike
12. Bad news from the stars

Arranged By - Bruno Blum (tracks: 2.01 to 2.21) , Serge Gainsbourg (tracks: 1.01 to 1.13)
Backing Vocals - Judy Mowatt , Marcia Griffiths , Rita Marley
Bass - Robert "Robbie" Shakespeare*
Choir - I Threes
Compilation Producer - Bruno Blum
Drums - Lowell "Sly" Dunbar*
Guitar [Rhythm Guitar] - Radcliffe "Dougie" Bryan
Guitar, Piano - Michael "Mao" Chung*

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domingo, 28 de março de 2010

Orchestra Baobab

Formada no início da década de 70, em Dakar - Senegal, com músicos de várias partes da África, a Orchestra Baobab se firmou como uma das bandas mais populares do continente. Fazendo uma mistura do som típico do oeste africano com a música Afro-Cubana-Caribenha a banda gravou 15 álbuns em 17 anos de existência, e chegou a encerrar suas atividades no ano de 1987.
Em 2001 o selo inglês World Circuit relançou Pirate's Choice, gravado originalmente em 1982, em gravação remasterizada e com faixas bônus, o que despertou novamente o interesse pela banda, agora nos Estados Unidos e Europa. Tal interesse animou os integrantes da banda, que nesse mesmo ano voltaram a se apresentar. Made in Dakar é seu mais recente álbum, que mesca sucessos desses 20 anos de banda, com novas músicas.

Orchestra Baobab - Made in Dakar [2007]

1. Papa Ndiaye
2. Nijaay
3. Beni Baraale
4. Ami Kita Bay
5. Cabral
6. Sibam
7. Aline
8. Ndéleng Ndéleng
9. Jirim
10. Bikowa
11. Colette

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pena Branca e Xavantinho



Irmãos criados na zona rural de Uberlândia (MG), começaram a tocar juntos na infância. Em 1950, quando Pena Branca (José Ramiro Sobrinho) tinha 12 anos e Xavantinho (Ranulfo Ramiro da Silva) 9, o pai morreu, e todos os sete irmãos se viram obrigados a trabalhar na lavoura. Em 1958 participam pela primeira vez de um programa da Rádio Educadora de Uberlândia, ainda sem o nome Pena Branca e Xavantinho. Na década de 60 se apresentam em cidades do interior até 1968, quando decidem tentar a sorte em São Paulo. Passam a freqüentar clubes de música caipira, onde conhecem outras duplas, como Tonico e Tinoco e Milionário e José Rico. Gravam o primeiro compacto, "Saudade", em 1970, quando adotam o nome artístico definitivo. Durante os anos 70 se apresentaram em shows, inicialmente ao lado de Tonico e Tinoco, e mais tarde como atração principal. Em 1980 participaram do festival MPB Shell, defendendo a música "Que Terreiro É Esse?" acompanhados por 16 violeiros da Orquestra de Guarulhos e percussionistas, classificando-se para as finais. Em seguida lançaram o primeiro LP, "Velha Morada" e passaram a ser figura constante em programas de televisão e no rádio. Em 1987 o CD "Cio da Terra" teve participação de Milton Nascimento, promovendo a mistura entre estilos musicais. A dupla ganhou cinco prêmios Sharp ao longo da carreira, encerrada em outubro de 1999, com a morte de Xavantinho. Pena Branca continuou gravando sozinho, ganhando inclusive um Grammy Latino no ano 2000, até falecer segunda-feira, dia 7, vítima de um ataque cardíaco.


Pena Branca & Xavantinho - A música deste século por seus autores e intérpretes [2000]

1 O cio da terra
(Chico Buarque - Milton Nascimento)
2 Boiadeiro do norte
(Zulmiro Silva)
3 Casinha de aço
(Teddy Vieira - Roque de Almeida)
4 Amo-te muito
(João Chaves)
5 Velho catireiro
(Xavantinho - Pena Branca)
6 Reisado
(Teddy Vieira)
7 Calix bento
(Tavinho Moura)
8 Que terreiro é esse?
(Xavantinho)
9 Mazzaropi
(Jean Garfunkel - Paulo Garfunkel)
10 Felicidade
(Lupicínio Rodrigues)
11 Memória de carreiro
(Juraildes da Cruz)
12 Cuitelinho
(Antônio Xando - Paulo Vanzolini)
13 E a mata gemeu
(Xavantinho - Maria Chiquinha)
14 O cio da terra (2)
(Chico Buarque - Milton Nascimento)

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"Cansei da frase polida / por anjos da cara pálida (...) / agora eu quero a pedrada / chuva de pedras palavras / distribuindo pauladas."

Paulo Leminski