
"Aos cinco anos de idade eu vi o filho do vizinho soprando uma flautinha de brinquedo e pedi ao Papai Noel uma igual. Aos onze anos comecei a estudar com um flautista amador, um carteiro, que tocava em igrejas, em rodas de Choro e orquestrinhas da cidade. Depois comecei a estudar sério porque até então tocava meio de ouvido, como os cantores também cantavam de ouvido; as introduções a gente improvisava na hora, ficava mais leve. Nos anos 50, com o surgimento dos arranjos, tive que me esmerar mais nos estudos. Tive professores no México, EUA e URSS. Conheci Pixinguinha, Benedito Lacerda e Dante Santoro. Meu grande aprendizado de Choro foi quando eu era 'músico vira-lata'. Saía fuçando rodas de Choro todo dia depois do trabalho. Eu gosto muito de improvisar! Não toco uma frase repetida, cada vez que eu toco é uma frase diferente." (Altamiro Carrilho)
Cada vez que ouço Altamiro Carrilho, penso como o nosso país é injusto com seus verdadeiros heróis. O fato de você estar lendo esse blog e não fazer nem idéia de quem seja este senhor de 84 anos só comprova isso.
Carioca de Santo Antônio de Pádua, Carrilho é uma verdadeira lenda do choro, e da flauta transversal, instrumento que o acompanha a mais de meio século.Altamiro gravou mais de 100 discos, compôs mais de 200 canções e se apresentou em mais de 40 países. Altamiro, junto com Jacob do Bandolim e Pixinguinha faz parte de um seleto hall dos melhores instrumentistas brasileiros, mas infelizmente as premiações que Altamiro recebeu se restringem à elite brasileira (a detentora da cultura), enquanto que alguns nunca irão ouvir falar desse grande músico... uma pena!
Fica aqui a minha singela homenagem a Altamiro Aquino Carrilho (não, infelizmente o mestre não é meu parente!), espero que possa ter despertado a sua curiosidade na busca por materiais dele.
* Aquino Neto (post dedicado a meu mais novo parceiro de aventuras blogueiras, Bruno http://oventriloquo.blogspot.com )

