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domingo, 20 de dezembro de 2009

Los Fabulosos Cadillacs!

"..no tengo porque tener miedo. Mis palabras son balas, balas de paz, balas de justicia..."
Pergunte a um garoto que começa a ouvir música agora, quantas bandas latino-americanas ele conhece e depois compare com a quantidade de norte americanas. Se moramos tão mais perto dos hermanos argentinos, uruguaios, chilenos...; por que tão pouco conhecemos das bandas de lá? Pode ser que não, mas no que diz respeito as bandas argentinas, penso que a (ridícula!) rivalidade também tenha lá sua influência.
Coisa de dois anos atrás meu irmão encontrou pra baixar o Acústico MTV de uma banda argentina chamada Los Fabulosos Cadillacs. Por nunca ter ouvido falar neles, pensei que era algo novo... Que nada, era o áudio de um programa gravado em 1994!
A banda, Los Fabulosos Cadillacs, foi formada em Buenos Aires, no ano de 1985.(Sim, uma banda de 24 anos!)
Inicialmente eles apareceram como uma banda de ska, com influências de The Specials, Madness e outras bandas 2-Tone, com o passar dos anos foram sendo agregadas outras influências, como tango, cumbia, jazz, salsa, reggae, samba, resultanto essa salada musical, que é o som dos caras.
De "Bares y Fondas", lançado em 1986 à "El arte de la elegância de LFC", último trabalho da banda, lançado esse ano, a banda contabiliza um total de 17 álbuns, prêmios que vão desde a MTV até Grammy Latinos!
Dentre esses, 4 álbuns foram escolhidos para a Lista dos 250 álbuns mais influentes do rock latino-americano. No ano passado eles receberam o Prêmio La Leyenda (A Lenda), da MTV Latino-Americana.
Responda você agora por que o som desses caras não chega aqui, e aproveite e responda também por que você (provavelmente) não conhece uma banda de 25 anos, 17 álbuns, reconhecida mundialmente, e de tamanha qualidade. Sou muito suspeito pra opinar, sou fã desde a primeira audição.
Saiba mais:

Los Fabulosos Cadillacs - Vasos Vacios [1993]
1. Cadillacs
2. Matador
3. Te tiraré del altar
4. V Centenario
5. Mi novia se cayó en un pozo ciego
6. El satánico Dr. Cadillac
7. Gitana
8. Siguiendo la luna
9. Manuel Santillán, el león
10. Demasiada presión
11. Vasos Vacíos (con Célia Cruz)
12. Revolution Rock
13. Yo no me sentaría en tu mesa
14. Yo te avisé
15. El genio del dub
16. Silencio hospital
17. Basta de llamarme así





terça-feira, 21 de abril de 2009

Adão Dãxalebaradã: Princípio, meio e fim.


Adão dos Santos Tiago, mais conhecido por seu nome artístico "Dãxalebaradã" (significa na língua yorubá "princípio, meio e fim"), carioca, filho de protestantes, não podia ter contato com crianças que não eram da igreja, nem jogar bola de gude, nem soltar pipa (coisas do diabo, hora bolas!), então Adão, aos cinco ano, começou a brincar de fazer música, na época hinos para igreja. Por causa das constantes agressões do pai, fugiu de casa, indo parar em um reformatório na cidade de Passa Quatro, em Minas Gerais. Foi menino de rua e interno da Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) onde ficou dos 9 aos 17 anos. Logo depois, foi expulso do exército e acabou envolvendo-se com a guerrilha na década de 1970. Envolvido com o tráfico do morro do Cantagalo e assaltos a bancos, o ex-guerrilheiro sobreviveu a muitos tiros nos vários embates e emboscadas com a polícia, e bandidos. Em 1973, quando tentava se afastar do tráfico, trabalhando como mecânico, foi vítima de um assalto, ao reagir e, sem ver que havia outro sujeito atrás, foi alvejado. O tiro o deixou numa cadeira de rodas semiparaplégico (semiparaplégico é o cidadão que consegue andar segurando nas coisas, tomar banho sozinho, etc). Um belo dia o cineasta Walter Salles que havia subido no Morro do Cantagalo, no Rio, à procura de novas expressões artísticas, foi levado à casa de Adão por Luanda, bailarina do projeto Dançando para Não Dançar e filha caçula do sujeito ao qual me refiro nessa postagem. O diretor de Abril Despedaçado ficou impressionado com o compositor, de mais de 500 canções, e o apresentou à sua parceira Daniela Thomas e ao irmão dela, o produtor musical Antônio Pinto (responsável pelas elogiadas trilhas dos filmes "Cidade de Deus", "Abril Despedaçado" e "Central do Brasil"). Walter, Daniela, e principalmente Antônio que ficou obcecado pelo discurso vigoroso e hipnotizado pelo som, decidiram revelar Adão. O resultado é o disco "Escolástica", o documentário "Somos Todos Filhos da Terra" e o "videoclipe Armas e Paz". Dãxalebaradã faleceu em janeiro de 2004 pouco depois de lançar seu único álbum, vítima de uma Hepatite C com infecção generalizada. Além de Compositor Adão foi locutor de rádio (entre 1997 e 1999 apresentou o programa "Zumbi vive", na rádio comunitária do morro em que residia) e ator (em 2002 o cineasta Fernando Meirelles o convidou para atuar com Pai-de-Santo no filme "Cidade de Deus").Fantástica aquela cena em que ele batiza Zé Pequeno.
Para registrar esse tesouro da MPB Antônio gravou Adão cantando e depois acrescentou em estúdio os instrumentos, com gente como o guitarrista Simon Katz (ex-Jamiroquai e hoje no Gorillaz), a CéU. O resultado é um álbum de força incomum, fundamentado no reggae, somado a belas sonoridades afropop e colagens dub que emolduram o discurso político e místico de suas loucas invenções poéticas.

Adão Dãxalebaradã - Escolástica (2003)

01- Doce como um Mel
02- Escolástica

03- Que Mundo é Esse
04- Riquiza e Cultura
05- Semente Violenta

06- Armas e Paz

07- África

08- Computador

09- Luanda

10- Vida Curta

11- Deus é um Negrão

12- Ilalá

13- O Diamante

14- Bibi Lobi
15-
Escolástica
16- Xirê

17- Vida Curta Remix**

18- Armas e Paz Remix***

Sinta a essência aqui.
"Cansei da frase polida / por anjos da cara pálida (...) / agora eu quero a pedrada / chuva de pedras palavras / distribuindo pauladas."

Paulo Leminski